Precisamos de recursos básicos para sobreviver

Atualizado: Jun 29

Estudos demonstraram que o fornecimento de suprimentos básicos como comida, água, roupas ou acomodação de forma inadequada durante períodos de quarentena aumenta o sentimento de frustração das pessoas e tende a gerar ansiedade e raiva que se mantêm por meses após o afrouxamento do isolamento. Não ter a possibilidade de obter cuidados médicos regulares e receitas médicas também parecem se associar a problemas para muitas

pessoas. Nesse sentido, a solidariedade é um fator fundamental. Se você estiver em condições para tal, tente ajudar as pessoas da sua comunidade doando itens básicos ou informando essas pessoas sobre meios de obtenção de recursos na sua comunidade, se houver algum disponível.


Não faça grandes estoques de mantimentos, eles podem ser necessários para outros. Após um período inicial em que algumas pessoas assustadas fizeram estoques de itens como papel higiênico, álcool gel e alguns tipos de alimento, ficou bastante evidente que o suprimento desses produtos vai ser suficiente: portanto, não se exceda.


Se você estiver em necessidade de mantimentos, confira algumas organizações que podem te ajudar: Rio Contra Corona (link), Campanha Unicamp Solidária (link), Gerando Falcões (link) e União SP (link).


Em relação a dificuldades com receitas médicas, medidas emergenciais tornaram possível que médicos emitam receitas de diversos medicamentos, incluindo antibióticos e outros de controle especial, por email ou telefone, mediante um breve cadastro que deve ser preenchido pelo profissional e que permite que ele utilize uma assinatura digital. Se você precisa saber mais sobre esse assunto, acesse esta matéria (link), que é altamente elucidativa.


Além disso, o Conselho Federal de Medicina autorizou o uso da telemedicina (isto é, a utilização de aparelhos eletrônicos como meio de comunicação para que se realizem consultas e procedimentos médicos), em todo o país.


Neste momento, não podemos esquecer as famílias mais vulneráveis que vivem em zonas de pobreza, para as quais o impacto que a pandemia causa se soma a uma série de outros estressores já existentes, como falta de recursos básicos de saúde, alimentação e moradia. Essa sobrecarga de fatores estressores tende a aumentar os índices de abuso de substâncias, violência familiar e problemas de saúde, entre eles, os de saúde mental. Seja

solidário.


Com tudo isso, por que algumas pessoas vêm lidando com essa situação de forma mais tranquila do que outras?


Como as pessoas respondem à pandemia da COVID-19 pode depender muito do seu histórico de vida, de características pessoais e da comunidade em que vivem. Uma das características pessoais que são determinantes neste momento é a capacidade de resiliência.


A palavra resiliência é bastante utilizada na física, determinando a capacidade de um objeto sofrer uma tensão sem que ocorra uma deformação permanente, como é o caso de um elástico, por exemplo. Entretanto, o termo também tem sido utilizado nas ciências humanas na tentativa de compreender por que algumas pessoas sob as mesmas circunstâncias lidam melhor com as adversidades do que outras, sendo capazes de enfrentar e de superar obstáculos, aprendendo com essas situações.


O fator comum mais presente em crianças que desenvolvem resiliência é a presença de pelo menos um adulto cuidador (como os pais), que as apoie de forma estável e que esteja comprometido com seu desenvolvimento. Tais relacionamentos criam base para que as crianças se tornem capazes de responder aos desafios de forma personalizada e as protegem ao longo do seu crescimento.


A presença desse cuidador também auxilia no desenvolvimento de capacidades fundamentais, como as de planejar, monitorar e regular o comportamento, que, por sua vez, possibilita que as crianças respondam adaptativamente às adversidades que eventualmente surjam e que, consequentemente, prosperem. Essa combinação de relacionamentos de

apoio, desenvolvimento de habilidades de adaptação e experiências positivas é a base da resiliência.


O pediatra, psiquiatra e psicanalista britânico Donald Winnicott dedicou boa parte de sua teoria à compreensão do desenvolvimento emocional na primeira infância, olhando particularmente para o vínculo entre a criança e o “ambiente”, representado comumente pela mãe. Um dos conceitos mais famosos e difundidos de Winnicott é o da "mãe suficientemente boa", que envolve a ideia de que o cuidador ou cuidadora do bebê (representado pela mãe, que pode ou não ser a pessoa que deu à luz) ao se atentar e identificar as necessidades dele, não busque a perfeição muitas vezes idealizada, e sim

acolha suas próprias falhas, dificuldades e aprenda com elas, sendo

"suficientemente boa" dentro de suas possibilidades.


Embora tal conceito não tenha sido proferido em um contexto de pandemia como o que estamos vivendo agora, ele é muito mais amplo do que a esfera de sua mais conhecida contribuição. Serve para jogar luz no senso de responsabilidade e de angústia que podemos sentir ao achar que precisamos dar conta de todas as necessidades que esse momento requer. Ao professor, talvez não seja possível garantir o aprendizado de todos os alunos na mesma proporção e cuidar das múltiplas carências de seus estudantes. Talvez

também não seja simples migrar todas as formas e ferramentas de aprendizado para o universo digital, tampouco lidar com a angústia e a ansiedade do que virá pela frente. Sejamos suficientemente bons.


É natural sentir estresse, ansiedade, tristeza e preocupação durante e após

um desastre. Porém, é importante regular suas emoções antes de poder refletir as soluções. Observe e aceite como você se sente. Cuidar da sua saúde emocional durante uma emergência o ajudará a pensar com clareza e a reagir às necessidades urgentes de proteger a si e à sua família. Cuidar de nós mesmos hoje é a coisa mais compassiva que podemos fazer, não apenas por nós mesmos.


Há uma frase muito difundida nas redes sociais que se aplica bem a esta necessidade: cuidar de quem cuida. Clique no botão abaixo e faça download do Guia Prático de Saúde Mental em Tempos da Covid-19 pois não há saúde sem saúde mental: #AmeSuaMente.


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