Nossas relações dentro de casa se modificam em períodos de isolamento

Atualizado: Jun 29

Se por um lado estamos enfrentando o risco de o isolamento se transformar em solidão, por outro, algumas pessoas têm se deparado, de uma certa forma, com o oposto: a excessiva proximidade que o confinamento provoca a quem vive sob o mesmo teto.


Quanto mais tempo você passa com alguém, maior a probabilidade de atrito. Além disso, estar por bastante tempo próximo de alguém nos torna mais “porosos” em relação às emoções do outro, nos levando a momentos (ou longos períodos) de saturação do contato com o outro, que fica evidente quando pequenos problemas começam a se transformar em

grandes discussões, quando começamos a nos indispor com os outros dentro de casa com muito mais frequência do que anteriormente ou quando a simples presença da pessoa já desencadeia desconforto.


Porém, assim como podemos nos ”desregular” uns aos outros, também temos a chance de nos “co-regular”. Tente lembrar-se de pessoas que quando se aproximam de você, costumam deixa-lo em uma “frequência”tranquila. Por outro lado, tente mentalizar uma pessoa que quando se aproxima de você, incomodada a ponto de deixa-lo irritado. Se você

conseguiu, esta é a prova de que temos a capacidade de nos organizar ou desorganizar, dependendo da intenção (ou falta dela).


ALGUMAS DICAS PODEM SER ÚTEIS, SE AS RELAÇÕES DENTRO DE CASA FICARAM ESTREMECIDAS


Espaço

Oferecer espaço a si e ao outro, principalmente no caso em que se perceberem sinais de saturação das interações.

Espaço reduz as zonas de atrito. Neste cenário, é importante lembrar que pessoas que convivem em ambientes menores podem viver esses processos de forma mais intensa.


Exercícios

Procure reduzir seu estado de reatividade. Busque formas de relaxamento físico e mental como exercícios físicos, yoga, etc.


Comunicação

É possível aprender a se comunicar de maneira mais efetiva, segundo a Comunicação Não-Violenta (CNV). CNV é um modelo de interação proposto pelo psicólogo norte-americano Marshall B. Rosenberg que estabelece norteadores para uma convivência mais harmoniosa entre familiares, amigos, em relacionamentos amorosos, dentro da escola, entre colegas de trabalho, etc., de uma forma que as interações sejam naturalmente voltadas a gerar benefícios a todas as partes.


CNV - Comunicação Não-Violenta


A CNV conta com princípios que estão interligados:


1. Consciência – que se relaciona com princípios de compaixão, colaboração, coragem e autenticidade, tanto dentro de nós quanto em

nossas interações;

2. Linguagem – que se relaciona com a compreensão de que palavras têm poder de contribuir para a conexão ou a desconexão;


3. Comunicação – que se relaciona a saber solicitar o que queremos sem ameaças, saber escutar o outro e a como pensar estrategicamente para que todas as partes envolvidas em uma interação ou situação se beneficiem;


4. Meios de influência – que se relaciona a compartilhar nosso poder com os outros, ao invés de usá-lo sobre os outros.


O processo de CNV possui quatro componentes que podem ser analisados pela ótica de quem fala ou de quem ouve

1. Comunicação

Refere-se a observar as situações de uma forma mais neutra, apegada apenas aos fatos, que o levem a se comunicar de uma forma a não emitir tantos julgamentos. Por exemplo, ao invés de dizer: “Você não está fazendo as tarefas porque é folgado!” você poderia dizer “Estou percebendo que esta é a terceira vez que estou lhe dizendo que você não está fazendo as tarefas”. A primeira conduta gera na outra pessoa uma postura defensiva, que

possivelmente os afasta de resolver o problema, concorda? Outro exemplo é: “Esta redação está péssima!” (aqui existe um julgamento muito forte). A alternativa seria: “Percebi vários erros de ortografia e o desfecho de sua redação estava incompleto” (aqui, o ouvinte não se sente julgado em cima dos seus valores, e sim, de informações concretas que podem ser utilizadas para que ele progrida).


Neste sentido, tente evitar adjetivos (“preguiçoso, preconceituosa, irresponsável, etc.), emitir julgamentos como “Você é…”, ou generalizar as coisas, como “Você sempre me deixa na mão" ou “Ninguém escuta o que eu estou falando!”.


2. Sentimentos

Falar para a outra pessoa como você está se sentindo em relação ao conflito permite que ela se conecte com você e seja mais empática, entendendo o seu lado da situação. Por exemplo, você pode dizer, em uma situação em que está sendo cobrado: “Quando você grita comigo dizendo que seu filho não está aprendendo com as aulas online eu me sinto triste, frustrado e desanimado...Tenho tentado dar o máximo de mim, nesse período tão

difícil…”. A ideia desse exemplo não é se mostrar de forma vitimizada, mas sim mostrar o que se sente, de forma real.


3. Necessidades

Quando você demonstra suas necessidades de forma clara, a outra pessoa pode reconhecer a humanidade em você. A partir disso, pode haver um movimento de conciliação para que se formulem soluções em que todos saiam ganhando. Por exemplo, você pode dizer: “Como professor de vocês, eu me preocupo muito que vocês estejam aprendendo o que eu estou tentando explicar. Como não temos outros métodos para que isso aconteça, queria muito que todos tentassem prestar o máximo de atenção nesse assunto, mesmo que seja difícil assistir à aula pelo computador...”.

4. Solicitações

A CNV sugere que falar para a outra pessoa o que queremos de forma clara, expressando uma solicitação em vez de uma exigência costuma ser muito mais efetivo. Exigências geram comportamentos de contra-ataque. Por sua vez, ouvir o pedido de outra pessoa sabendo que temos escolhas, reduz atritos.


Quando você fizer um pedido, seja claro, solicite coisas que sejam concretas e atingíveis, e o faça de uma forma positiva. Uma forma de emitir um pedido, através da CNV seria “Gostaria que vocês me entregassem esse trabalho completo na terça feira que vem”, ou “Você poderia me ajudar a formatar esse texto?”.


Por outro lado, na condição de ouvinte, também podemos nos beneficiar da Comunicação Não-Violenta utilizando os mesmos componentes que acabamos de explorar. Por exemplo, ao entrar em um diálogo complicado ou tenso, tente analisar inicialmente, o que a pessoa está querendo dizer ao invés de tentar se defender. Tente “filtrar” as atitudes potencialmente hostis e observar o fato. Por exemplo, ao ouvir algo como "ela está dizendo que eu não estou contribuindo com nada na rotina da casa", tente compreender como a

pessoa está se sentindo (você pode até perguntar isso, pois estará demonstrando sua vontade de se comunicar de uma forma construtiva) e tente identificar a real necessidade da pessoa. O pai de um aluno pode estar sendo grosseiro por estar genuinamente preocupado com o desenvolvimento do seu filho, por exemplo. A partir dessa percepção, tente interagir de uma forma mais orientada, voltada aos elementos que contribuirão para que o conflito se resolva.


Dito isso, compreendemos que a CNV não é um recurso que se aprende de uma hora para outra. Pense sobre esses princípios e essas orientações. Tente aplicá-los quando possível e vá treinando. Ao longo do tempo, esse tipo de comunicação tende a se transformar em um

processo natural, pois tende a ser mais eficiente do que simplesmente deixar que as emoções tomem conta de situações conflituosas.


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