Comunicação Não-Violenta nas escolas: como usar esse conhecimento que vale ouro

Atualizado: Ago 11

Cada vez mais, diretores e professores estão em busca de melhorar o ambiente escolar minimizando conflitos e entraves, para que o processo de aprendizagem seja mais fluido e prazeroso. Para criar essa chamada cultura de paz, um dos recursos utilizados é a Comunicação Não-Violenta nas escolas. Essa abordagem, desenvolvida por um psicólogo norte americano, tem por objetivo solucionar conflitos através de um novo olhar sobre a forma como nos comunicamos. Usando a CNV, somos capazes de criar ambientes mais acolhedores e receptivos e assim facilitar as relações humanas.


A maioria de nós não percebe, mas a forma como interpretamos o mundo e as ações e condutas dos outros, está diretamente ligada aos nossos valores, crenças, ideias e preconceitos. Quando só consideramos essa interpretação e ignoramos as necessidades que estão por trás da conduta alheia, acabamos criando condições para que os conflitos surjam.


Quando utilizada por professores, a Comunicação Não-Violenta nas escolas vem se transformando em um conhecimento valioso que serve não apenas para melhorar o relacionamento com alunos e pais, mas principalmente para melhorar o ambiente escolar como um todo, minimizando uma série de fatores que levam à desmotivação, aos desgastes e até ao burnout.


No post de hoje, vamos trazer um panorama do que é a Comunicação Não-Violenta nas escolas e de que maneira ela vem promovendo verdadeiras transformações no dia a dia dos professores. Para saber mais, não deixe de conferir!


O que é a Comunicação Não-Violenta

Desenvolvida na década de 60 pelo psicólogo norte americano Marshall Rosenberg, a Comunicação Não-Violenta é uma abordagem para a solução de conflitos que se aplica a qualquer tipo de relação, dentro e fora das escolas.


A ideia da CNV é estabelecer um vínculo de empatia por meio da compreensão das necessidades. O objetivo é evitar padrões de defesa e de ataque, que se manifestam em razão do julgamento e dos preconceitos que todos temos. Entender quais são as necessidades que estão por trás dos comportamentos, na visão de Rosenberg, é a chave para abrir o diálogo e, assim, criar espaços para acordos e mais compreensão.


No seu livro “Comunicação Não-Violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais”, Rosemberg descreve os quatro pilares da CNV que são:


  • Observar

  • Entender os sentimentos

  • Entender as necessidades

  • Fazer o pedido


Segundo o idealizador da CNV, os conflitos nos relacionamentos surgem porque não compreendemos as necessidades alheias e costumamos interpretá-las a partir daquilo que sentimos ou julgamos. Para evitar problemas na comunicação e, consequentemente, o conflito, o que Rosemberg propõe é primeiro observar a situação usando da atenção e da escuta ativa. Depois, é preciso compreender quais são os sentimentos que ela nos desperta. Na sequência, o exercício é buscar entender quais são as necessidades que estão por trás daquela conduta e por fim, o pedido, serve para manifestar um desejo ou um posicionamento, justamente para evitar que aquela conduta que gera o conflito se mantenha.


Hoje, a CNV tem uma aplicação ampla, mas nas escolas, ela é um ótimo recurso para ser utilizado em sala de aula. Quando alunos e professores têm suas necessidades compreendidas, não existe necessidade de conflito ou de agressão. Em inúmeras escolas às quais projetos de CNV foram desenvolvidos, os efeitos são rapidamente percebidos tanto por professores quanto por alunos.


Comunicação Não-Violenta nas escolas

O processo de aprendizagem representa desafios tanto para o aluno quanto para o professor e a comunicação costuma ser o maior deles. Cada vez mais, a violência física e verbal está presente nas escolas e, muitos dos conflitos vivenciados por alunos e professores, surgem justamente por problemas de comunicação. Para os professores, esse tipo de conflito gera inúmeros desgastes que acabam acarretando na desmotivação, faltas, afastamentos, demissões, além de contribuírem para o esgotamento. Não por outro motivo, a Comunicação Não-Violenta nas escolas vem se mostrando como uma ferramenta bastante interessante seja para minimizar esses conflitos, seja para criar um ambiente escolar mais saudável, principalmente para os professores.


Porém, a implementação de um projeto de CNV no ambiente escolar leva tempo e precisa de um planejamento a longo prazo. Boa parte da teoria e da prática da CNV é passada através de treinamentos. Por isso, o ideal é educar facilitadores que auxiliem na implementação do projeto e sigam multiplicando seus conhecimentos para os demais. Atualmente, diversas escolas no Brasil e no mundo utilizam a CNV. Porém, esse projeto realizado na Dinamarca ganhou um bom destaque, já que além de virar documentário, ele demonstra exatamente os efeitos práticos da Comunicação Não-Violenta nas escolas e como implementá-lo junto aos alunos. Além do documentário, o projeto também disponibiliza uma cartilha com exercícios práticos para professores que querem implementar a CNV em sua escola.


CNV nas escolas: quais são os benefícios para os professores?

Estresse, desgaste e desvalorização. Infelizmente, muitos professores andam desmotivados com a sala de aula e o dia a dia escolar em razão de todas essas questões. Como falamos aqui no blog, o burnout em professores é algo mais comum do que se imagina e algo precisa ser feito.


Em projetos de Comunicação Não-Violenta na escola, o que se observa é uma redução da agressividade e uma maior compreensão dos sentimentos e atitudes. Com essa mudança de olhar, atitudes como indisciplina, enfrentar o professor, evitar as aulas ou mesmo gerar tumulto na sala de aula foram se dissipando. Da mesma forma, o ambiente da escola deixou de ser um lugar de “mandar e obedecer” para se transformar em um ambiente mais acolhedor e horizontal, onde todos expressam suas necessidades e compreendem as necessidades alheias, gerando um ambiente de maior respeito e paz.


A Comunicação Não-Violenta nas escolas pode ser uma boa alternativa para a melhoria do ambiente e, consequentemente, a minimização de todos os fatores que acabam gerando desde faltas, afastamentos, até o prejuízo do ensino. As escolas podem sim se transformar em um ambiente acolhedor para todos mudando algumas coisas. A forma de se relacionar e construir relacionamentos é uma delas.


Você já conhecia a Comunicação Não-Violenta nas escolas? Escute também o nosso podcast sobre o tema! Veja também como as escolas do mundo todo estão reabrindo na pandemia.


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