A sala de aula e a saúde mental do professor

Atualizado: Out 29

Problemas de saúde mental são uma das principais causas de faltas e afastamentos de professores. No entanto, apesar de ser uma questão rotineira nas escolas, ainda são poucas as instituições que investem em boas práticas para lidar com a situação.


Segundo pesquisa da Associação Nova Escola realizada em 2018, 66% dos professores já se afastaram da sala de aula por questões de saúde. Dentre os principais motivos, estão a ansiedade em professores (68%), estresse e dor de cabeça (63%), insônia (39%), dores nos membros do corpo (38%) e alergias (28%). Além disso, cerca de 28% dos docentes entrevistados afirmaram que sofrem ou já sofreram de depressão. Durante a pandemia, a Associação fez um novo levantamento, que apontou uma piora desse cenário. Nesses quase dois anos, cerca de 72% dos professores afirmaram que tiveram a saúde mental afetada.


Quando olhamos os números, não é difícil concluir que a saúde mental dos professores precisa de um olhar mais cuidadoso. Para dar início a uma mudança neste quadro, no entanto, é preciso reconhecer os impactos da sala de aula e do ambiente escolar na saúde mental dos educadores, para então transformar a escola em um espaço mais acolhedor e agradável para a mente de todos.



Saúde mental na escola: cenário pré e pós pandemia

A pandemia acabou deixando evidente um problema que já era conhecido dos educadores: o burnout. Afinal, nossos educadores são um dos que mais sofrem com o esgotamento físico e mental. Com o isolamento social e a necessidade de se adaptar ao ensino remoto, a carga de trabalho da maioria dobrou. Além disso, muitos vivenciaram o sentimento de insegurança, seja pelos efeitos da disseminação da Covid-19, seja pelo medo de perder o emprego.


Professores da rede pública e privada precisaram enfrentar o excesso de trabalho, a falta de recursos para lidar com o ensino remoto e a insegurança com relação ao futuro. Para muitos profissionais, esses fatores transformaram-se em uma espécie de “bomba-relógio” que desencadeou inúmeros casos de depressão, ansiedade e burnout.


Mesmo com a volta das aulas presenciais, as questões de saúde mental no ambiente escolar ainda persistem. Afinal, agora os educadores precisam, novamente, adaptar sua rotina, além de lidar com um novo desafio: enfrentar os impactos da pandemia nos alunos, quando eles próprios não estão bem.



Diferentes realidades

Apesar das consequências da pandemia atingirem os educadores da mesma forma, as medidas tomadas pelas escolas da rede pública e privada foram diferentes. Na rede particular, o suporte e o apoio vieram mais rápido, por meio da mobilização de gestores e coordenadores. Já na rede pública, a divergência com relação às diretrizes de ensino geraram diversos desgastes. No momento em que a maioria dos professores conseguiu se adaptar ao ensino remoto, novas diretrizes foram criadas com base nas normas de segurança e saúde, impondo novas mudanças na rotina.


Quando falamos em saúde mental na escola durante a pandemia, as medidas e realidades do ensino público e privado também divergem. Embora a questão esteja ganhando corpo dentro das escolas, ainda existe o estigma, a falta de diálogo e acolhimento especialmente dos educadores.



Como transformar o ambiente escolar

Quando falamos no mundo corporativo, um ambiente de trabalho saudável é aquele em que colaboradores e gestores contribuem de forma ativa para a produtividade e também para a promoção da saúde, segurança e bem-estar de todos. Quando pensamos nas escolas, a lógica não é muito diferente.


Em outras palavras, para transformar o ambiente escolar em um lugar de maior acolhimento e promoção da saúde mental é preciso adotar medidas que valorizem o trabalho do professor e seus resultados, bem como, protejam a saúde e o bem-estar de todos.


Dentro deste contexto e, para além das questões estruturais, é importante promover o bem-estar de quem ensina. O desenvolvimento da aprendizagem ocorre a partir de relações e para a construção e cristalização da relação professor-estudante é necessário que o professor-pessoa esteja bem. A prática educacional efetiva, ou seja, que visa a liberdade e a emancipação das pessoas, só ocorre por meio do diálogo entre educadores e estudantes. Ouvir, verdadeiramente, alunos e alunas, demanda atenção e paciência,

características que para serem aplicadas em sala de aula requerem bem estar físico e emocional.


Você promove mudanças no seu ambiente de trabalho como professor? Confira nossa ficha informativa para ajudar você nessa transformação.



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