Burnout em professores: você está diante de um?

Quando falamos no dia a dia da educação, o burnout em professores é algo mais comum do que se imagina. Além dos eventos estressantes presentes na rotina, as longas jornadas de trabalho, o excesso de responsabilidades e a desvalorização do profissional são fatores que contribuem para esse quadro de esgotamento.


Apenas para se ter uma ideia, um estudo de 2007, realizado pela Universidade Federal de Brasília com professores com 8744 professores da educação básica já apontava que 15,7% apresentavam um quadro de burnout, enquanto 29,8% tinham sintomas de exaustão emocional e 31,2% não se sentiam realizados com o próprio trabalho. Um estudo realizado em 2020, com base em na metodologia de verificação pré-diagnóstica da síndrome Burnout do Maslach Burnout Inventory (MBI), apontou que entre os 40 professores que participaram do estudo, 53% encontravam-se em fase inicial do burnout. O que os números e as pesquisas nos mostram, portanto, é que o burnout em professores não é uma questão nova, embora com a pandemia o tema se tornou ainda mais evidente.


Para professores que atuam no ensino privado e no ensino público os fatores que levam ao burnout são diferentes. Enquanto na rede pública os recursos limitados e o frequente desinteresse dos alunos pesam mais, na rede privada a cobrança excessiva é o que acaba levando o profissional ao seu limite. Porém, os efeitos do esgotamento são os mesmos e prejudicam a saúde como um todo. A paixão pelo ofício tem sim duas faces. E os excessos, que podem parecer inevitáveis para muitos, são bastante perigosos.


Mas, quando saber se estamos ou não diante do perigo? No post de hoje vamos falar um pouco sobre a complexa síndrome de burnout em professores e quando é a hora de pedir ajuda!



O que é síndrome de burnout e como ela afeta o professor

A síndrome de burnout foi descrita pela primeira vez em 1974, pelo psicanalista alemão Herbert Freudenberger. Apesar de descoberta há pouco tempo, a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) já reconhece o burnout como uma doença ocupacional que pode impactar a saúde do indivíduo como um todo. No Brasil, o Ministério do Trabalho também não ignora o burnout enquanto um problema de saúde do trabalhador. Assim, a síndrome é listada como um transtorno mental e de comportamento relacionado ao trabalho.


Apesar de existirem inúmeras pesquisas e artigos sobre o assunto, o diagnóstico da síndrome não é simples. Isso porque os sintomas são diversos e podem variar de pessoa para pessoa. Embora a exaustão e a redução da eficácia profissional sejam características bastante comuns, a verdade é que o burnout muitas vezes se confunde com a depressão. E, na maioria dos casos, ele mostra sinais bem antes do indivíduo atingir o colapso físico e mental.


O problema de não se realizar o diagnóstico correto, naturalmente, afeta o tratamento e a recuperação do indivíduo. Por isso, é fundamental buscar auxílio profissional e contar com o suporte de amigos, familiares e colegas de trabalho. Também é importante que empresas e organizações estejam atentas ao burnout e contem com uma estrutura para auxiliar seus empregados.


No dia a dia das escolas, o burnout em professores vem se tornando mais recorrente em razão de uma série de fatores. A baixa remuneração e a grande cobrança dos alunos, pais e diretores impactam na saúde mental dos professores. Por fim, a carga excessiva de trabalho transformou-se em uma questão, especialmente com a pandemia, enquanto a adaptação ao ensino online e, depois, ao híbrido exigiu muito dos educadores.


O burnout em professores e pandemia

A pandemia trouxe inúmeros desafios para os professores. Primeiro veio a necessidade de adaptar o ensino às ferramentas digitais. Depois o obstáculo se transformou em manter os alunos conectados e engajados. Não demorou muito para que todos entendessem que a tela não substitui a lousa e a forma de transmitir o conhecimento também precisaria ser repensada.


Para dar conta das demandas do “novo normal”, além de dar atenção aos alunos, pais e diretores, as horas de trabalho de um professor na pandemia se multiplicaram e muitos precisaram lidar com a redução de salários. Nesse cenário, onde foi necessário se reinventar mesmo sem uma metodologia de ensino adaptada ao digital, muitos se viram sobrecarregados, esgotados e desestimulados. O burnout foi um caminho inevitável.


Sinais de alerta

O burnout é um problema de saúde mental sério que requer atenção e cuidados. Como falamos, o diagnóstico nem sempre é simples, já que nem todas as pessoas que passam por um burnout apresentam os mesmos sintomas.


Porém, existem sinais de alerta. Sentimentos de impaciência, desesperança, baixa energia, solidão, tristeza e falta de empatia que se mantém por um longo tempo merecem atenção. É importante lembrar que quando a saúde mental é afetada, o corpo também fala. Por isso, dores de cabeça, distúrbios do sono e tensão muscular também costumam fazer parte de um quadro de burnout.


Herbert Freudenberger, que descreveu a doença, também fala em doze estágios que compõem a síndrome de burnout. São eles:


  1. Necessidade de se afirmar e mostrar seu próprio valor

  2. Dificuldade de se desligar do trabalho

  3. Ignorar as próprias necessidades como sono, alimentação e vida social

  4. Fugir de conflitos

  5. Não participar de atividades de lazer, momentos com amigos e família

  6. Negar os problemas

  7. Isolar-se socialmente

  8. Mudar de comportamento

  9. Não enxergar valor em si e nas próprias necessidades

  10. Sensação de vazio e compensação com excessos

  11. Sentimento de insegurança e dificuldades de ver perspectivas no futuro

  12. Colapso físico e mental


As fases do burnout não seguem necessariamente uma ordem e não devem ser usadas para um auto diagnóstico. Assim, ao perceber esses sinais de alerta, o professor deve buscar auxílio psicológico e assistência médica.


Muitos professores estão tão envolvidos com a própria rotina que acabam percebendo esses sinais apenas quando atingem o colapso. Por isso, é fundamental ouvir também quem está à nossa volta, como amigos e familiares que costumam perceber as mudanças de comportamento rapidamente.


Burnout em professores: um problema de todos

Certamente, o burnout em professores não é apenas um problema do professor. Ele precisa de atenção de toda comunidade escolar. É preciso ter um olhar analítico da gestão com a realidade da instituição para assim entender de forma estruturada as razões da síndrome. Nesse sentido, é fundamental valorizar a importância da saúde mental no ambiente escolar, envolver o time em decisões institucionais, além de estimular a autonomia e valorizar o docente.


No atual cenário onde o isolamento social e as incertezas tomam conta das nossas vidas, todos nos tornamos mais vulneráveis ao burnout. Por isso, é preciso atenção e atitude com a saúde mental. O trabalho de ensinar é sim envolvente, cheio de responsabilidades e um caminho com grandes gratificações. Mas para ser saudável, também é preciso limites e equilíbrio com todas as áreas da vida.


Você já conhecia sobre o burnout em professores? Nós preparamos um material super bacana sobre autocuidado na pandemia para te ajudar a criar uma rotina mais saudável para a sua mente! E veja também a mensagem do psiquiatra Rodrigo Bressan sobre a importância da saúde mental para professores.

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