Autolesão em adolescentes: como as escolas podem lidar com essa questão

[Aviso de gatilho: conteúdo de tema sensível relacionado ao suicídio]


O que passa na mente de um aluno que se machuca de forma intencional e com regularidade? A autolesão é um comportamento que costuma gerar muita incompreensão, seja por parte dos pais, educadores e até mesmo dos colegas da escola. Afinal, esse tipo de prática contraria o nosso senso-comum de autoproteção. Contudo, existem explicações do porquê algumas pessoas, especialmente os adolescentes, recorrem à automutilação. A primeira coisa a saber é que há uma enorme relação entre a autolesão e a forma como o nosso cérebro reage a determinadas situações...


Ao perceber comportamentos autolesivos em algum aluno é comum que os professores tenham dúvidas sobre o quê fazer nesses casos. No post de hoje, queremos abrir um espaço de diálogo acerca desse tema tão delicado. Nosso objetivo não é reduzir, nem tampouco esgotar o assunto, pois sabemos como ele é complexo e sensível. Porém, gostaríamos de chamar a atenção dos educadores para que eles ajudem a transformar a escola em um ambiente mais acolhedor para os adolescentes que precisam de apoio.



O que é a autolesão?

A autolesão é um mecanismo de enfrentamento, onde o indivíduo busca a dor física como forma de evitar ou mesmo se distrair de uma dor emocional grande. Em alguns casos, esse tipo de atitude também é uma forma de resposta a uma sensação de amortecimento emocional.


De maneira geral, esse comportamento se caracteriza como uma agressão direta, repetida e intencional contra o próprio corpo, sem que haja a intenção de se matar. Embora pareça contraditório, para quem se autolesiona a dor é uma forma alívio e isso ocorre justamente em razão da maneira como o nosso cérebro funciona. Quando passamos por uma dor física intensa, uma série de regiões do cérebro respondem a esse estímulo. O chamado sistema opióide endógeno, que é uma área cerebral responsável por regular as sensações de dor, fica mais ativa nesse tipo de situação e libera uma grande quantidade de endorfinas. As endorfinas, por sua vez, são hormônios relaxantes naturais do nosso corpo. Assim, quem recorre a automutilação, experimenta uma sensação de relaxamento e alívio depois de se deparar com o sofrimento físico. A dor física, nesses casos, também é uma forma de distrair ou aliviar a dor emocional. Por essa razão, a autolesão é um comportamento viciante e, consequentemente, recorrente.



Autolesão em adolescentes

Embora alguns adultos e crianças recorram à automutilação, ela é mais comum em adolescentes, especialmente na faixa entre 12 e 15 anos. Os cortes são uma prática habitual, mas queimaduras, arranhões, hematomas, fraturas de ossos e até arrancar pêlos e cabelos também podem ser uma manifestação desse comportamento.


Em muitos casos, a autolesão cessa com a chegada da idade adulta. Mas isso não significa que ela foi resolvida, já que a automutilação é apenas uma resposta a uma grande dor emocional. Sempre que falta um olhar cuidadoso para o sofrimento psíquico, novas reações podem surgir, incluindo o suicídio.


A autolesão, para o jovem, é um mecanismo de enfrentamento. Nele, o indivíduo busca uma forma de lidar com sentimentos negativos ou situações desagradáveis. No curto prazo, a automutilação traz uma sensação de recuperação do controle emocional, por isso a recorrência da prática. Porém, a longo prazo, além das cicatrizes físicas, a autolesão costuma se agravar.



A importância do acolhimento na escola

A autolesão em adolescentes é um comportamento que desperta inúmeras reações e sentimentos daqueles que entram em contato com essa realidade. Um erro muito frequente ao lidar com esse jovem é acreditar que ele faz isso para chamar a atenção. Essa postura, em muitos casos, é interpretada como uma forma de desafio, o que acaba promovendo um cenário perigoso de desconexão. A automutilação é um sinal de alerta, que nos indica que alguém está passando por um grande sofrimento e um momento de fragilidade. Esse jovem, portanto, precisa de suporte e acolhimento em primeiro lugar, para que então possa desenvolver novas habilidades e estratégias para lidar com esses sentimentos.


As reações extremas podem agravar os sentimentos de culpa, o que também não é bom nesse cenário. Estabelecer vínculos, diálogo e um ambiente propício para a recuperação pode ser bastante desafiador quando falamos em adolescentes. Essa fase é marcada pela busca da independência emocional, por isso, é comum que o jovem se mostre menos acessível.


Para promover o diálogo e fazer com que adolescentes se sintam à vontade em pedir ajuda é fundamental criar um ambiente que acolha, evitando julgamentos e reações extremas.Também é importante respeitar a privacidade deste adolescente e mostrar disponibilidade para conversar.


A escola tem um papel importante na hora de incentivar o diálogo e promover um ambiente seguro e acolhedor para os jovens. O encaminhamento adequado para uma rede de cuidados depende de um bom acolhimento de pessoas adultas. Portanto, esse suporte dos professores pode ser extremamente importante para todo o processo de recuperação, que também envolve o auxílio de um profissional da saúde e da família.


Você tem dúvidas sobre como lidar com a autolesão em adolescentes? Veja também nossa ficha informativa sobre o tema.



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